Jogadores Bascos representam talento, tradição e resistência cultural

Futebol Espanhol

Os Jogadores Bascos representam talento, tradição e resistência cultural dentro do país Basco. País que tem orgulho de suas tradições e o mais importante, forma jogadores muito talentosos através dos clubes que regem as regras de investir na base. Muitos deles jogam nos principais clubes, ou seja, o Athletic Bilbao e a Real Sociedad. O Athletic tem o caso mais nacionalista de toda a Europa, pois conta apenas com jogadores bascos em seu elenco e sempre revela ótimos jogadores para a seleção espanhola. O nome mais conhecido e desejado no momento é Nico Willians.

No entanto, para melhor entendimento, destacamos primeiro saber o quê o País Basco.

País Basco

O País Basco é um território autônomo no norte da Espanha e sudoeste do território francês, pois tem sua própria língua, cultura e costumes, contudo, não é independente. Dentro do território está localizado as cidades de Bilbao, San Sebastián, Vitória(capital) e Pamplona, ambos têm os seus próprios clubes jogando na elite do futebol espanhol, a LaLiga.

Portanto, Bilbao e Real Sociedad normalmente brigam na parte de cima da tabela e sempre tem em seus elencos jogadores da seleção espanhola.

Portanto, a grande importância do País Basco na seleção espanhola. Trata-se de uma das regiões mais produtivas da Espanha em termos de formação de talentos. Historicamente, muitos craques bascos foram pilares da seleção espanhola, como:

Xabi Alonso (formado na Real Sociedad, campeão de duas Euros e uma Copa do Mundo), Andoni Zubizarreta (Athletic Club), Julen Guerrero (Athletic Club), Fernando Llorente (Athletic Club). E mais recentemente como casos de sucesso na Europa, Ander Herrera, Mikel Oyarzabal, Mikel Merino, Unai Simón, Kepa Arizabalaga e Aymeric Laporte.

Os jogadores bascos costumam se destacar pela disciplina tática, força física e inteligência coletiva, características valorizadas no estilo de jogo espanhol mais técnico e de posse de bola.

Como funciona o processo de formação de Jogadores Bascos

A base do sucesso está na estrutura local de formação, que é diferente da maioria dos outros lugares da Espanha. Ou seja, revelar jogadores é a base para o sucesso dentro de campo e também financeiro das equipes. Os clubes revelam e vendem muito bem seus atletas. Como exemplo, Kepa rendeu €80 milhões quando se transferiu do Bilbao para o Chelsea.

O Athletic só forma e contrata jogadores nascidos no País Basco ou formados em clubes bascos (Navarra, La Rioja, ou o País Basco francês). Isso criou uma academia extremamente sólida, com filosofia e identidade próprias. Ou seja, a base de Lezama é considerada uma das melhores escolas de futebol da Europa em termos de rendimento por habitante.

Por outro lado, a Real Sociedad abre mais as asas para contratar jogadores e não conta somente com jogadores da região, contudo, mantém foco na formação regional, apostando em jovens de Gipuzkoa e Navarra. O clube mudou sua política de usar apenas jogadores formados na região em 1989 quando contratou o centroavante irlandês John Aldridge, jogador que estava em fim carreira. A “La Real” tinha como objetivo competir em alto nível no futebol espanhol e internacional.

A academia Zubieta é famosa pela ênfase em técnica, inteligência e entendimento tático. Assim, produziu gerações inteiras de jogadores que chegaram à seleção, como Xabi Alonso, Oyarzabal, Zubimendi e Merino, com exceção de Oyarzabal que continua no clube, todos vendidos por valores altos, os dois últimos foram vendidos para o Arsenal de Mikel Arteta.

Contudo, entre tantos jovens talentosos fornecidos para a seleção espanhola, há ótimos nomes que não possuem nacionalidade espanhola por parte de pai e mãe. Pois, Iñaki e Nico possuem pais ganeses, contudo, nasceram no País Basco e foram formados nas categorias de base. Ambos representam posições pouco exploradas no futebol espanhol, ou seja, as pontas ou alas, ambos são jogadores rápidos e habilidosos. Logo, esse método de formação abrange outras nacionalidades e preenche posições com poucas opções.

Além disso, as jovens promessas são observadas desde cedo pelos técnicos das seleções de base.

Tradição e resistência cultural

Sobre identidade dupla e orgulho basco, é um dos aspectos mais fascinantes e complexos do futebol espanhol que vale a penas ter o conhecimento. Ou seja, os jogadores possuem identidade dupla e orgulho basco. O País Basco (Euskadi, em basco) tem uma identidade cultural, linguística e política muito forte, diferente do restante da Espanha.

Portanto, reflete diretamente no futebol, especialmente na relação entre regionalismo e representação nacional. Entre o sentimento basco e o orgulho de representar a Espanha, existe o contexto histórico, o País Basco sempre teve movimentos nacionalistas que defendem maior autonomia ou até independência da Espanha, contudo, isso se perdeu nas últimas décadas. Por isso, vestir a camisa da seleção espanhola já foi, por muito tempo, algo sensível para alguns jogadores e torcedores bascos.

No entanto, muitos jogadores e torcedores conseguem conciliar o orgulho de serem bascos com o desejo de representar seu país esportivamente. O que os fãs do futebol não sabiam, é que existe uma seleção basca não oficial chamada de “Euskal Selekzioa”. Contudo, não reconhecida pela FIFA e pode jogar apenas amistosos não oficiais, geralmente em datas festivas (como o Natal).

Em resumo, os jogadores Bascos representam muito mais que talento esportivo, ou seja, trata-se de um símbolo de resistência cultural e convivência identitária. Os atletas de hoje é fruto de uma história de orgulho local, mas também de integração nacional, mostrando que é possível ser profundamente basco e plenamente espanhol ao mesmo tempo.

Imagem destaque: reprodução/Athletic Club

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