Relembre e veja os treinadores brasileiros na Europa, ou seja, treinadores que tiveram a chance de fazer grandes trabalhos em grandes clubes, ou como vamos ver, em seleções.
1. Luiz Felipe Scolari (Felipão) no Chelsea – 2008/09: um dos trabalhos de treinadores brasileiros na Europa mais lembrado
Após comandar Portugal com destaque (incluindo o vice da Euro 2004), Felipão chegou ao Chelsea com grande expectativa, sendo o primeiro brasileiro a treinar um grande clube inglês. O Chelsea naquela época, possuía uma equipe com diversos craques, como Drogba, Anelka e Shevchenko. Ou seja, tinha capacidade de ganhar títulos, contudo, não foi isso que aconteceu.
No entanto, começou bem, com 12 jogos sem perder com boas vitórias e futebol vistoso. Porém, com o tempo, perdeu o vestiário principalmente por causa de dois jogadores, pois, “perdeu a queda de braço” para esses jogadores. Também enfrentou dificuldades de adaptação ao estilo e cultura do futebol inglês. Em entrevista ao canal Duda Garbi, colocou que deveria ter se preparado mais e aprendido melhor inglês. Cabe ressaltar, que na época existiam jogadores de várias nacionalidades, algo que dificultou sua continuidade.
Seu fim da passagem, demitido em fevereiro de 2009, após apenas sete meses. A diretoria alegou “falta de resultados e de evolução da equipe”. Foram 36 jogos, com 20 vitórias, 10 empates e apenas 6 derrotas. Dessas derrotas, quatro na Premier League para equipes do big six, algo que dificultou a briga pelo título. Além disso, foi eliminado nas oitavas de final para o Bunrley na copa da liga, porém, passou da fase de grupos da UCL e deixou o clube nas oitavas da copa da Inglaterra.
Portanto, marcado como um treinador com dificuldade de se adaptar fora de sua zona de conforto, apesar do enorme currículo. Contudo, Felipão já provou com outros trabalhos o seu potencial como treinador, com grandes títulos na carreira.
2. Vanderlei Luxemburgo no Real Madrid – 2004/05
Chegou ao clube no final de 2004, durante a era dos “Galácticos”, com a missão de organizar um elenco estrelado que contava com Zidane, Ronaldo, Beckham, Roberto Carlos, entre outros. Antes tinha ganhado a Copa América com a seleção brasileira e cinco campeonatos brasileiros com três equipes diferentes.
Fez uma boa reta final em 2004/05 em LaLiga, mas, eliminado nas oitavas de final da Champions para a Juventus, ficando abaixo das expectativas para um elenco recheado de craques.
A temporada seguinte teve queda de rendimento. Tentou implementar o famoso “quadrado mágico”, mas encontrou resistência no vestiário. No entanto, uma vitória demitiu Luxa, em resumo, na 14° rodada do campeonato espanhol contra o Getafe, o Real estava ganhando por um zero e perto de encostar no Barcelona no topo da tabela. Porém, Beckham foi expulso e o mister tirou Ronaldo Fenômeno para “fechar a casinha”, a torcida não gostou e Luxemburgo ouviu protestos durante a substituição.
Demissão:
Contudo, garantiu a vitória, mas, na tribuna, discutiu com o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez. Pérez perguntou do por que tirar Ronaldo, o treinador brasileiro justificou que era para ganhar a partida, porém, nas palavras do presidente:
“Não, mas no Real Madrid temos que pensar no jogo e pensar no torcedor. Eles pagam, temos lotação máxima todos os jogos, eles pagam para ver espetáculo”.
Assim, Luxa retrucou: “Presidente, deixe-me falar um negócio para o senhor: não estou gostando muito disso, não. Não pedi ao senhor para vir para cá, você que foi no Brasil me contratar. Não vim para cá por favor, não. Vim para cá por que você foi no Brasil e me contratou, então vou fazer o que achar que tiver que fazer”. Depois disso, nenhuma palavra do presidente, contudo, a demissão já estava decretada.
Florentino tem como atributo garantir que nada pode ser maior que a instituição Real Madrid. Por outro lado, o treinador brasileiro sempre substituiu Ronaldo antes do fim das partidas. Além disso, a equipe tinha pedido um “el clássico” por três a zero duas rodadas atrás.
Esses foram os diálogos em entrevista de Vanderlei no Flow Podcast. Assim, terminou dia jornada com 45 partidas, com 28 vitórias, 7 vitórias e 10 derrotas.
3. Sylvinho na Seleção da Albânia – Desde 2023 como um dos treinadores brasileiros na Europa
Ex-lateral do Barcelona e da Seleção Brasileira, Sylvinho iniciou sua carreira como treinador na Europa, tendo passagens por Lyon e Corinthians antes de assumir a Albânia.
Em pouco tempo, fez um excelente trabalho. Classificou a seleção para a Eurocopa 2024 como líder do grupo, um feito histórico para o país, ou seja, apenas classificar o país para uma Euro já é heroico, porém, fez ainda melhor, pois passou em primeiro empatado com o mesmo número de pontos com a República Tcheca e Polônia, ou seja, grupo equilibrado.
Portanto, na Euro de 2024, não passou de fase, contudo, montou em elenco competitivo para brigar no “grupo da morte”. O grupo continha também a Espanha, a Itália(atual campeão) e também a vice campeã mundial, Croácia. Assim, teve um começo meteórico, marcando o gol mais rápido aos 23 segundos contra a Itália, contudo, levou a virada em uma partida equilibrada.
Na segunda rodada, bateu de frente com a Croácia, arrancado uma empate nos últimos segundos de jogo. Já na terceira partida, uma derrota amarga, magra e sofrida para a Espanha por 1 a 0, a Espanha viria a vencer a competição. Portanto, mesmo com a eliminação precoce, vendeu caro seus resultados e agradou a torcida albanesa.
Sylvinho valorizou a organização defensiva e deu identidade à equipe, mesmo com elenco limitado. Considerado um dos trabalhos mais promissores de um treinador brasileiro na Europa nos últimos anos que agora tem como objetivo colocar a Albânia na Copa de 2026.
4. Thiago Motta na Juventus – Assumiu em 2024
Entre os treinadores brasileiros na Europa em grandes equipes, Thiago Motta. Apesar de ser naturalizado italiano, Thiago Motta nasceu no Brasil e iniciou sua carreira no futebol brasileiro (Juventude). Como treinador, se destacou no Bologna, levando o clube à Champions League pela 1ª vez em 60 anos. Algo impressionante devido a qualidade do elenco. Contudo, o jovem treinado de 42 anos, explodiu no seu quarto trabalho, já que antes havia treinado, o PSG sub 19, depois o Genoa e o Spezia
Anunciado como técnico da Juve para a temporada 2024/25, com a missão de devolver o clube ao protagonismo e a UCL, contudo, foram apenas 42 partidas pela Velha Senhora.
Visto como um técnico moderno, de ideias ofensivas e com ótimo trabalho de base tática. É uma das grandes apostas do futebol europeu. Porém, não conseguiu terminar uma temporada completa na maio desafio da carreira. Mesmo com a apoio da diretoria, não resistiu a sequencia de resultados ruins no campeonato italiano, o seja, derrota para a Atalanta por 4 a 0 e também para Fiorentina por 3 a 0, ou seja, ambos concorrentes por vaga na maior competição europeia.
Além disso, eliminado na fase pré oitavas de final para o PSV. E também eliminado por 5 a 3 nas quartas de final da Copa da Itália para a Empoli.
Assim demitido na 29° rodada do campeonato italiano, deixando a Juventus na quinta posição. Portanto, ao todo, 18 vitórias, 16 empates e 8 derrotas. No entanto, cabe salientar que a equipe sofria por reformulações na temporada.
Imagem destaque: reprodução/Juventus
